Seguidores

segunda-feira, 22 de abril de 2024

FAMILIA DA ESCRITORA IR. MARIA DIONICE É HOMENAGEADA DURANTE SEMINÁRIO EM SUA MEMÓRIA

 

No último final de semana aconteceu, em Extremoz, o I Seminário Ir. Maria Dionice, escritora, historiadora e missionária que publicou, ainda em 1997, a primeira obra sobre a História de Extremoz, que completa quase 30 anos. O evento foi realizado no auditório CEEP Hélio Xavier, no último dia 20 de abril, por ocasião dos 10 anos da sua morte.

O Seminário foi coordenado e idealizado pelo Prof. e escritor Leandro Soares e realizado em parceria com a Academia Extremozense de letras.

O evento que estava sendo muito aguardo foi sucesso de público e muito prestigiado. Estiveram presentes além dos familiares, amigos e admiradores da sua obra muitas autoridades; entre elas, destacamos a presença da prefeita da cidade, Jussara Sales, do Padre Aldo Pimentel, da secretaria de educação, Kátia Borba, das freiras da congregação Filhas de Santana, os parlamentares, Anderson Barbosa, Rilder Jordão, o Ex-prefeito Enilton Trindade e a ex-vereadora Leila Cristina.

O seminário teve a participação de dez palestrantes que se revezaram em torno de três mesas redondas temáticas. Os temas abordados foram à biografia da homenageada com o relato e os testemunhos dos que tiveram a oportunidade de conviver com ela, assim como sobre o pioneirismo e a atualidade da sua obra.

Entre os palestrantes estiveram presentes o chefe do departamento de história da UFRN, o Prof. José Evangelista, o Sócio do Instituto histórico e geográfico do RN, Prof. Luciano Capistrano, O escritor e historiador, Juarez Viana, autor do livro Guajuru: registro da indiferença, A escritora e pesquisadora, Simone Maria, Autora do livro Lendas de Extremoz, o poeta Valdenor do Cordel, a ativista cultural Profa. Maria Gorette, o pesquisador Ricardo Barros, o historiador Antônio Braga, Abimael Silva, irmão da homenageada e editor do Sebo Vermelho. A Ir. Maria José da Congregação Filhas de Santana que esteve com a homenageada em missão da igreja na África, também esteve presente.

Seminário disponível na íntegra no YouTube

Durante o evento a família recebeu o título de Cidadão Extremozense para a Ir. Dionice, de forma póstuma. O título foi entregue pela escritora Simone Maria, pelo Padre Aldo Pimentel e pela Ex-vereadora Leila Cristina, que foi a autora do titulo original, ainda em 2015, e entregue agora de forma histórica à família por ocasião do seminário. Também foi homenageado com o titulo de Cidadão de Extremozense o Prof. Leandro Soares, idealizador do evento e autor da obra “Extremoz em Prosa” livro que apresenta vários aspectos históricos e culturais da cidade, incluindo a biografia da Ir. Maria Dionice. O título foi entregue pela escritora Simone Maria, pelo vereador Rilder Jordão, pelo jornalista e escritor Cefas Cesar, presidente da Academia Extremozense de Letras e pelo Artista gráfico, cineasta e escritor, Prof. Lula Borges.

Além da justa homenagem que faz referência ao passado, Ir. Maria Dionice também recebeu recentemente outra homenagem que aponta para o futuro.  A Câmara Municipal de Extremoz aprovou a indicação que homenageia a escritora, para nomear a nova escola que está sendo construída no bairro Moinho dos Ventos, em Extremoz.

O evento movimentou a vida literária da cidade com a exposição e o lançamento de vários livros. Autores de Extremoz e de outras cidades também estiveram presentes. Após o seminário, foi possível degustar o famoso grude de Extremoz, feito na hora, pelas mãos de Simone e companhia. Durante as sessões de autógrafos a atração cultural ficou por conta do artista, músico e compositor Marconi Branco. Um dia histórico para a cidade de Extremoz proporcionado pela memória e pelo legado da grande Ir. Maria Dionice. Confira a seguir algumas fotos do evento:



















 

terça-feira, 16 de abril de 2024

ESCRITORA IR. MARIA DIONICE SERÁ HOMENAGEADA EM NOVA ESCOLA NO BAIRRO MOINHO DOS VENTOS

 

                                            Imagem: SOARES, L. Extremoz em Prosa, p. 69

Na manhã de hoje a Câmara Municipal de Extremoz aprovou a indicação que homenageia a escritora, historiadora e missionária, Ir. A. Maria Dionice da Silva, para nomear a nova escola que está sendo construída no bairro Moinho dos Ventos.

A indicação nº 050/2024, apresentada pelo vereador Anderson Barbosa, requer que a nova escola localizada no bairro do Moinho dos Ventos receba o nome da Ir. A. Maria Dionice da Silva como forma de homenagear a memória da estimada escritora, historiadora e missionária.

Ainda durante a sessão, o parlamentar agradeceu pela “aprovação em dar o nome da nova escola do Moinho dos Ventos como Ir. A. Maria Dionice da Silva. Sabendo da importância dessa mulher na nossa cidade e na construção da nossa história. Que o nome dela seja eternizado nessa nova escola que será entregue no bairro do Moinho dos Ventos”. Disse.


quarta-feira, 27 de março de 2024

PROJETO DE PRESERVAÇÃO DAS RUÍNAS DE EXTREMOZ É SELECIONADO PELO IPHAN

 

                                                      Ramon Bezerra - Arquiteto e Urbanista 

No inicio do mês foi divulgado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) o resultado do Novo PAC Seleções que contemplou mais de 100 projetos de preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro. Extremoz foi um dos selecionados. Noticia completa disponível no link: https://www.gov.br/iphan/pt-br/assuntos/noticias/novo-pac-selecoes-contempla-105-projetos-de-restauracao-do-patrimonio-cultural-do-brasil

Para concorrerem, os projetos deviam comprovar a relevância, o impacto e a viabilidade técnica para a preservação, promoção e valorização do Patrimônio Cultural. O objetivo foi atender projetos de todo o País, que procurem promover o desenvolvimento cultural e permitam a apropriação dos espaços pela população.

Para compreender melhor o que tudo isso significa e entender as próximas etapas que devem ser seguidas, assim como algumas questões de caráter mais técnico e burocrático, conversamos com o arquiteto e urbanista, Ramon Bezerra, autor do projeto selecionado, e que gentilmente conversou conosco e explicou de forma didática e bastante detalhada todo o processo.

Ramon, Atualmente é pesquisador pelo programa de pós-graduação em arquitetura e urbanismo da UFRN. Inicialmente, explicou que o projeto apresentado ao IPHAN é fruto do seu trabalho de conclusão de curso junto ao departamento de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal do Semi-Árido (UFERSA), Campus Pau dos Ferros-RN. O trabalho intitulado Manifesto face a inércia: restauro alusivo das ruínas da antiga igreja de São Miguel Arcanjo e convento Jesuíta na cidade de Extremoz/R. Propõe uma intervenção arquitetônica de restauro alusivo na área arqueológica da antiga igreja de São Miguel Arcanjo e do convento Jesuíta na cidade de Extremoz/RN. Foi apresentado e aprovado no final do ano de 2022 com orientação da Professora Dra. Monique Lessa. O trabalho completo está disponível no link a seguir: https://repositorio.ufersa.edu.br/items/98e0e85c-e8a6-4954-879a-a23476939de7

 

SUA RELAÇÃO COM EXTREMOZ

      Explicou ter uma relação íntima com Extremoz. Local onde cresceu e guarda grande parte de suas memórias afetivas. Sobre o interesse em pesquisar o patrimônio histórico, recorda que, ainda jovem, sempre chamou sua atenção a forma como a história de Extremoz era negligenciada pela própria cidade. O interesse pela arquitetura veio da influência do seu pai, pedreiro. . “Reproduzindo os esquemas de plantas que ele fazia”. Disse.


A IDEIA DE TRANSFORMAR O TRABALHO EM PROJETO PARA O IPHAN

Explicou que após apresentar a trabalho para vários órgãos e autoridades da cidade como a prefeitura e a igreja matriz houve um interesse em utiliza-lo como uma proposta de restauro junto aos órgãos de defesa do patrimônio histórico. O primeiro passo foi solicitar o tombamento das ruínas da igreja e do convento dos jesuítas em nível federal para aumentar as chances de ocorrer, de fato, alguma intervenção de caráter arqueológico e arquitetônico. Vale lembrar que atualmente só existe o tombamento em nível estadual, feito ainda em 1990. (Onde os recursos e as equipes de trabalho são mais limitados). Segue imagem da proposta de tombamento cadastrada de tombamento em novembro de 2023, junto ao IPHAN.

                                            Fonte: Iphan.gov.br 

        Em seguida, Ramon, explica que surgiu a oportunidade de submeter a proposta para concorrer ao chamamento público do IPHAN, no Novo PAC Seleções do governo federal e o resultado positivo foi motivo de alegria e orgulho pela trajetória e pelo trabalho realizado.

O QUE ACONTECE AGORA

         Falando, mais especificamente do projeto executivo, o que aconteceu foi a seleção apenas da primeira etapa. Ou seja, o que de fato será feita nas Ruínas da antiga igreja vai depender de estudos realizados por equipe de especialistas multidisciplinar, como arqueólogos, engenheiros, e outros. Uma vez que se trata de uma tarefa minuciosa e interdisciplinar. No entanto as possibilidades de intervenção já estão delineadas pela proposta apresentada. As etapas principais apontadas são:

1 -  Avaliação do potencial Arqueológico (durante a elaboração do

projeto de arquitetura);

2 - Pesquisa Arqueológica (facultativa, a depender da indicação da

primeira etapa);

3 - A utilização dos vestígios (se serão incorporados ao projeto ou

não):

    Os valores contemplados, referente a realização da primeira etapa, estão disponíveis na plataforma do Tranferegov.br de forma pública;

                             Fonte: Transferegov.br

     Sobre um processo de preservação, de acordo com (OLIMPIO, 2020, p. 279) é necessário levantar quatro questões fundamentais: “Por que preservar?”, “Para quem preservar?”, “O que preservar?” e “Como preservar?”. Explica. Nessa medida, Ramon destaca que um projeto dessa magnitude não deve olhar apenas para o aspecto do turismo. Embora seja, sim, um aspecto importante. Ou seja, “o próprio monumento carrega uma carga de valores. A população precisa se apropriar desses valores”. Afirma que “Para além do turismo devemos fomentar o local, a cultura, a identidade e a educação patrimonial. É necessário disseminar a história e a cultura da cidade. Mostrar a riqueza histórica da cidade para o mundo. A educação patrimonial é, sem dúvida, o primeiro passo para esse fomento da identidade local ou da significância cultural”. Disse.

       Citando, Giovane Carbonara, teórico de restauro critico conservativo criativo, linha que se associa. “A restauração é uma questão de equilíbrio e de medida, é mais escuta do que fala ou proposição” É necessário entender o que o bem tem a dizer para podermos intervir e propor algo.

No Projeto intitulado “PROPOSTA PARA PROTEÇÃO E GESTÃO DAS RUÍNAS DA ANTIGA IGREJA DE SÃO MIGUEL ARCANJO E CONVENTO JESUÍTA NA CIDADE DE EXTREMOZ/RN”. São feitas considerações importantes acerca da necessidade, ou não, de uma reconstrução total do bem cultural: “Quando voltamos para as áreas arqueológicas, sendo definidas como testemunho histórico do trabalho humano, se torna pertinente que a intervenção reafirme os valores do bem e auxiliem em sua perpetuação e salvaguarda. Quando conferidas ao restauro arqueológico, tais ações se mostram vantajosas na incorporação da apresentação dos vestígios, a fim de facilitar a leitura e compreensão dos visitantes. Sem haver necessidade de reconstrução.” (FERNANDES, 2023, p. 54)

            O documento conclui que não haveria uma real necessidade de uma reconstrução total do bem cultural, mas intervenções de caráter pontual. Como esclarece o autor “No entanto, não há razões para isso, além de que o reconhecimento como patrimônio cultural foi realizado em seu estado arruinado. Não havendo memória afetiva urgente a ser rememorada ou indicações técnicas que mencionem a atmosfera concreta da igreja e convento em sua totalidade. Além de que a população já reconhece seu valor de antiguidade pelo estado mutilado, pelos usos atribuídos com eventos e visitação constante”.

Abaixo, algumas imagens de como seria algumas das propostas de intervenção. O documento completo com as 91 páginas está disponível no link a seguir: https://drive.google.com/file/d/1pM_2mvPxZdxvQBmZArz2RO7L4Vvp-yWm/view?usp=sharing  





O SENTIMENTO EM RELAÇÃO A ESSE RESULTADO CONQUISTADO

“Sentimento de muito orgulho. Mesmo com a falta de apoio e de incentivo. Muita alegria e muita gratidão. Um feito magnifico. Isso é imensurável. Também é sinal que tem muito trabalho pela frente. O processo é longo e meticuloso”. Desabafa.

VII ENCONTRO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO – USP

Ainda, em 2022, foi apresentado no VII ENANPARQ 2022, USP, um trabalho chamado Entre a Inércia e a Repristinação: Ruínas em Extremoz e Sua Preservação em que o autor fala sobre vários aspectos relacionados a sua pesquisa. Apresentação disponível na íntegra no link a seguir:







 


quarta-feira, 20 de março de 2024

LIVRO: O CHORO DO RIO POR HAILTON MANGABEIRA

 


Um rio tão importante,

Durante sua extensão.

Barragem de Tabatinga

Em Guarapes, o Casarão,

O Solar Ferreiro Torto,

Basta prestar atenção.

(RIOS, 2024, p. 26)

 

Você já pensou na importância dos rios para as cidades? Entendendo essa importância podemos esperar ações que possam ajudar na sobrevivência e na recuperação dos nossos mananciais. Em seu mais recente trabalho do escritor - Hailton Mangabeira - da terra de Alta de Souza, em Macaíba, nos presenteia com um livro em que os personagens principais são os rios Jundiaí, Pitimbu e o Potengi. Assim, somos convidados a navegar pela história e por locais do Rio Grande do Norte guiados pela sua poesia.

A obra está estruturada em blocos temáticos que relacionam a métrica do cordel e os estudos realizados para a concepção do livro. Acredito que um dos grandes méritos do trabalho está em chamar atenção para as ações coletivas em defesa da recuperação desse importante recurso que é a agua, afinal, todos somos responsáveis pelo seu uso consciente. Esse caráter de coletividade se expressa, também, nas parcerias firmadas pelo autor entre outros autores que emprestaram seu talento e ajudam, Rios, a brilhar ainda mais forte. É o caso de uma passagem assinada pelo poeta, Dito Délis, um belo poema chamado O choro do rio. Aqui, lemos de forma emocionante o dialogo entre um homem com um velho – ao voltar de um forró em São Gonçalo do Amarante:

 

Daí então esse homem

Foi se desmanchando em água

Demorei para entender

A cena que apreciava

Mais depois compreendi

Tudo que ele me falara

E de forma decrescente

Jundiaí se fez gente

Pra chorar a sua mágoa.

(RIOS, 2024, p. 41)

 

O texto nos convida e provoca grandes reflexões sobre a importância de ações coletivas para o equilíbrio do meio ambiente. Ajudando a melhorar, isso sim, a relação do homem com a natureza. Encerro essas breves palavras navegando na poesia de Manbageira bem no meio do rio Potengi – passando pelo período colonial até os dias atuais. Rios precisa ser conhecido, lido e que nossos estudantes possam ter acesso e desfrutar desse conhecimento imperativo para sua formação como estudantes.

Foi chamado Rio Grande,

No tempo colonial,

Chamado Rio Salgado,

Pelo povo de Natal

E de Rio Potengi,

Grande referencial.

(RIOS, 2024, p. 61)

 

quinta-feira, 7 de março de 2024

INSTITUTO HISTÓRICO DO RN APOIA O SEMINÁRIO IR. MARIA DIONICE EM EXTREMOZ

 


Na manhã dessa quarta-feira, dia 06, a presidente do IHGRN, Dra. Joventina Simões, em reunião com membros da diretoria do instituto e com a organização do Seminário Ir. Maria Dionice reconheceu a importância do evento para o Instituto e para a história do Rio Grande do Norte. 

Estiveram presentes na reunião também, os diretores, Andre Pignataro (diretor de pesquisa do instituto), Alberto Cortes (diretor financeiro), Pedro Simões (diretor da biblioteca, arquivo e museu), Marco Emerenciano (sócio e presidente da Academia Ceará-mirinense de Letras) e o Prof. Leandro Soares de Extremoz.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA: PEDALANDO NA HISTÓRIA

 



Teve início essa semana na biblioteca central da UFRN a exposição fotográfica – Pedalando na História. A exposição conta com fotografias sobre o patrimônio histórico e cultural do RN, visitados de Bike.

Com o tema: “Conhecendo o patrimônio histórico e cultural do RN de Bike”, o objetivo da exposição é compartilhar com o público os benefícios que a bicicleta tem em relação à qualidade de vida e mostrar que é possível ampliar nosso conhecimento em relação ao patrimônio histórico e cultural do RN com a Bike. Uma iniciativa do Prof. Leandro Soares - ciclista e professor da rede estadual de Educação.

O projeto é fruto das andanças e de muitos pedais feitos com colegas por diversos locais do RN conhecendo e registrando suas riquezas históricas e culturais. As imagens foram produzidas com o próprio celular, explicou o professor. Além de contribuir para a mobilidade do trânsito é possível aprender enquanto se pedala.

O público-alvo são professores, estudantes, ciclistas, amantes do esporte, público em geral e é aberta a toda comunidade que deseja participar, independente de vinculação a UFRN. A iniciativa tem por propósito incentivar a prática do esporte como fomento a qualidade de vida, integrada com a busca pelo conhecimento e a valorização do patrimônio histórico-cultural.

A proposta é convidar à reflexão para perceber o patrimônio cultural não como elementos circunscritos apenas no passado, mas, pensar a partir dos elementos do presente as conexões, possíveis ressignificações e o sentimento de pertencimento com esse patrimônio, que é nosso. A exposição da nome ao livro que será publicado em breve sobre os bastidores e a perspectiva histórica dos locais visitados. "Com o propósito de democratizar o acesso a literatura regional, a obra será gratuita no formato digital". Explicou o professor. 

“A Bike nos permite conhecer locais esquecidos ou abandonados e até mesmo perceber toda a riqueza histórica e cultural que nos cerca durante a correria do dia-a-dia.” Disse. A exposição segue até o dia 12 de janeiro. Tudo gratuito.


segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Extremoz e o Túnel dos Holandeses


                              # Primeira visita ao túnel dos holandeses

Sem dúvida, essa é uma das mais famosas lendas de Extremoz. Mesmo local que Joaquim Honório esteve há cerca de 100 anos. Acredito que o local revela, em alguma medida, parte da história de resistência indígena, em Extremoz, no contexto da colonização.

O túnel foi descoberto em 1915 por Joaquim Honório e sua história se transformou em uma das lendas mais conhecidas de cidade. Tudo indica ter sido construído pelos Jesuítas com ajuda dos indígenas, outra versão é que tenha sido construído pelos holandeses entre o período de 1633 e 1654.

Ao que se sabe o túnel teria sido descoberto por volta de 1915 por Joaquim Honório. Mas a sua construção deve datar, segundo historiadores, ainda do inicio do século XVII, portanto há quase 400 anos. No livro, As Lendas de Extremoz, de Simone Souza, (pág. 65) temos o relato de uma entrevista realizada com uma sobrinha de Joaquim Honório, personagem principal dessa história fascinante. A sobrinha chamada Olindina Honório em 1998, à época com 84 anos de idade, revelou que seu tio, ao fazer escavações ao redor da igreja, encontrou a entrada do túnel. Mas não ouro. Como dito por Câmara Cascudo, tudo que Joaquim encontrou dentro do túnel foi um tijolo e um cachimbo. O tijolo com o nome Manoel Tambaguassu seria o nome do frade que apareceu em forma de fantasma nos sonhos do jovem Joaquim.

Na obra, A história de Estremoz (com S), da Irmã Maria Dionice, (pág. 81) é dito que, esse evento ocorrido com Joaquim desperta a cobiça e a ambição de muitos exploradores que chegam a Extremoz de toda parte para explorar o local em busca de ouro. Sem dúvida esse movimento contribuiu para o estado em que a antiga igreja se encontre hoje. Apenas Ruínas. Dionice explica , ainda, que “De toda parte surgiram videntes e curiosos que esgravatam a terra derredor da velha igreja. Vem dos estados vizinhos, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, com planos, riscos e esquemas”.

Outro relato muito interessante sobre o tesouro de Extremoz encontramos na obra, Lendas do Brasil, de Gumercindo Saraiva, (pág. 103) ao citar o discurso de D. José Pereira (Bispo de Natal) falando sobre o verdadeiro tesouro de Extremoz. Onde lemos a seguinte advertência “Não busqueis tesouros encantados em subterrâneos desconhecidos. O vosso tesouro está nesta terra feraz, onde abundam as fruteiras, onde frondeja o eucalipto, onde cresce e frutifica o café em grãos de púrpura e de ouro, nesta lagoa maternal que fertiliza os vossos campos”.

Acredito, como adverte o Bispo, que a maior riqueza de Extremoz é a sua própria terra. Lugar mais agradável para se viver, não há.

Atenção: O túnel se encontra em uma área particular e não está disponível para visitação.

Agradecimento aos proprietários por autorizarem nossa entrada. Agradecimento especial ao colega e pesquisador Ricardo Barros, @historiasdeextremoz, pelas informações sobre a localização exata do túnel.

Não deixe de seguir nossa página no instagram @pedalandonahistoria1

Fontes:

Lendas do Brasil, Gumercindo Saraiva, 1984

A história de Estremoz, Ir.A. Maria Dionice, 1997

Lendas de Extremoz, Simone Souza, 2020

Página: @historiasdeextremoz (Ricardo Barros)

Câmara de Extremoz aprova criação da Comenda Ir. Ana Maria Dionice

  Honraria reconhecerá pessoas que contribuem para a preservação da história, cultura e memória de Extremoz. A Câmara Municipal de Extremo...

Mais Vistos