Seguidores

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Agora faça a sua

A autoria em tempos de inteligência artificial

Diante de uma imagem criada por inteligência artificial, de uma capa de livro produzida com auxílio de algoritmos ou de um texto elaborado em diálogo com máquinas, tornou-se comum ouvir a provocação: “ficou bonito, agora faça a sua”. A frase parece simples, mas revela uma ideia profundamente enraizada de autoria: a de que criar seria um ato puramente individual, quase artesanal, livre de mediações técnicas. No entanto, a própria história da cultura humana mostra exatamente o contrário. Toda criação sempre esteve atravessada por ferramentas, linguagens e tecnologias. O pincel ampliou a mão do pintor. A prensa revolucionou a escrita. A câmera transformou a arte visual. O computador alterou radicalmente a produção gráfica e literária. Em cada época, houve quem enxergasse essas mudanças como ameaça à autenticidade da criação humana.

Quando a fotografia surgiu no século XIX, muitos artistas afirmaram que ela destruiria a pintura. Diziam que apertar um botão jamais poderia ser considerado arte. Mais tarde, o mesmo ocorreu com o cinema, com a música eletrônica e até com os softwares de edição digital. Hoje ninguém questiona que um fotógrafo seja autor de sua obra apenas porque utilizou uma câmera. Reconhecemos autoria no olhar, na escolha do enquadramento, na sensibilidade e na intenção estética. Foi isso que Walter Benjamin percebeu em A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica: as tecnologias não eliminam a arte; elas transformam a maneira como a arte é produzida, percebida e compartilhada. A inteligência artificial talvez represente apenas mais uma dessas grandes mudanças históricas na relação entre técnica e criação.

Nesse ponto, o pensamento de Vilém Flusser torna-se especialmente atual. Em Filosofia da Caixa Preta, Flusser argumenta que as imagens técnicas surgem da relação entre o aparelho e o sujeito que o opera. A câmera não cria sozinha; ela depende de escolhas humanas. O mesmo acontece com a inteligência artificial. O algoritmo organiza probabilidades, mas não possui memória afetiva, experiência existencial ou intenção simbólica. Quem produz sentido continua sendo o humano: aquele que imagina, seleciona, refina, rejeita, interpreta e direciona o processo criativo. O prompt, nesse contexto, não é apenas um comando mecânico; ele pode funcionar como linguagem estética, direção conceitual e exercício de imaginação.

Isso não significa ignorar os riscos da inteligência artificial. Byung-Chul Han alerta para o perigo da superficialidade produzida pela aceleração digital e pelo excesso de informação. Existe, de fato, um uso vazio da IA — assim como sempre existiram obras vazias produzidas sem tecnologia alguma. O problema não está na ferramenta em si, mas na relação que estabelecemos com ela. Talvez a questão contemporânea não seja mais perguntar se a inteligência artificial substitui o humano, mas compreender como ela reorganiza nossas formas de criar, pensar e imaginar. A máquina produz possibilidades; o humano continua responsável pelo sentido. E talvez seja justamente por isso que, em tempos de algoritmos, a autoria humana se torne ainda mais necessária.

domingo, 26 de abril de 2026

Contos: novo livro de Manuel de Azevedo será lançado na FLICOOP

 

Após a bem-sucedida trajetória de Breviário Ferroviário – Poética viagem a Extremoz, obra marcada pela sensibilidade poética e pelo olhar memorialista, Manuel de Azevedo apresenta agora Contos, seu novo livro. A nova publicação reforça a versatilidade do autor, que transita da poesia para a narrativa curta com naturalidade, revelando um espírito inquieto e atento às múltiplas formas de expressão literária.

Com lançamento marcado para a FLICOOP – Feira de Livros da Cooperativa Cultural, que acontece de 19 a 22 de maio, na UERN Zona Norte, e publicação pela CJA Edições, Contos reúne histórias que dialogam com memória, identidade potiguar, afetos e experiências humanas, mantendo a escrita intimista e o olhar sensível já reconhecidos na obra do autor.

Com uma escrita sensível e intimista, Manuel de Azevedo transita entre o sertão, a infância e as experiências humanas, valorizando personagens simples e paisagens carregadas de significado cultural. Os contos revelam um olhar atento para o cotidiano, transformando lembranças e vivências em literatura marcada pela emoção e pela força narrativa.

A obra reafirma o compromisso do autor com a memória, a cultura regional e a construção poética da linguagem. Em Contos, o leitor encontra histórias que dialogam com pertencimento, tradição e identidade, compondo um retrato literário profundamente ligado ao universo potiguar.

Mais do que um livro de narrativas, Contos é um convite à escuta das vozes, dos lugares e das experiências que moldam a nossa história.

Em breve.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Quando a história vira verso


O legado de Valdenor para Extremoz 

Valdenor do Cordel: a memória, a fé e a cultura de Extremoz rimadas em versos

A obra de Valdenor do Cordel é uma das expressões mais consistentes da literatura popular em Extremoz. Por meio da tradição nordestina do cordel, o poeta transforma história, fé, lendas, comunidades rurais, identidade cultural e temas educativos em versos acessíveis, didáticos e profundamente enraizados na realidade local.

Em Extremoz, Quatro Séculos de História, Valdenor reconstrói a trajetória da antiga Aldeia do Guajiru, a presença jesuítica, a emancipação política e os marcos culturais do município, organizando a narrativa histórica em sextilhas rimadas que facilitam a leitura e fortalecem a memória coletiva.

No cordel dedicado à Comunidade do Araçá, o poeta amplia o olhar para o cotidiano da zona rural, registrando lideranças, transformações sociais, tradições produtivas e manifestações culturais que constituem a vida do povo extremozense.

Já em Mártires do RN, sua poesia dialoga com a história religiosa do estado, resgatando episódios marcantes da fé potiguar e reafirmando o papel do cordel como instrumento de preservação espiritual e cultural.

Essa diversidade temática revela a amplitude de sua produção: Valdenor não se limita a um único eixo narrativo. Ele escreve sobre história local, religiosidade, comunidades tradicionais, folclore, cidadania, educação e acontecimentos marcantes do Rio Grande do Norte. Sua linguagem simples, cadenciada e popular aproxima o leitor, tornando o conhecimento acessível sem perder o rigor da pesquisa e o cuidado com a memória.

A trilogia publicada em livros — reunindo temas de história, folclore, tradição, turismo e educação — consolida essa trajetória e representa um marco cultural para Extremoz. Ao organizar parte de sua produção em volumes estruturados, o poeta fortalece o cordel como instrumento pedagógico, identitário e patrimonial. Trata-se de uma contribuição significativa para escolas, projetos culturais e iniciativas de educação patrimonial.

Além dessa trilogia, Valdenor é autor de mais de uma centena de folhetos, ampliando ainda mais o alcance de sua poesia. Cada publicação funciona como um registro vivo da cultura popular, preservando narrativas que poderiam se perder no tempo.

Mais do que poeta, Valdenor do Cordel é um cronista popular de Extremoz. Sua obra não apenas conta histórias: ela constrói pertencimento, valoriza raízes e reafirma a importância da cultura como elemento fundamental da identidade de um povo.

Confira um bate papo com o grande poeta de Araça..



sábado, 21 de fevereiro de 2026

Livro resgata memória indígena de Extremoz

 

Será lançado no próximo dia 28 de fevereiro, em Natal, o livro Extremoz: silêncio indígena, do historiador Juarez Viana da Silva, obra que revisita o apagamento histórico das populações indígenas na formação do município de Extremoz (RN).

A publicação é editada pelo Sebo Vermelho, que celebra 40 anos de atuação como um dos mais importantes espaços de difusão literária e resistência cultural do Rio Grande do Norte. O lançamento integra a programação comemorativa da instituição.

Há ainda uma curiosidade histórica que reforça esse momento: em 1997, o Sebo Vermelho também editou o clássico História de Estremoz, da Irmã Ana Maria Dionice, obra de referência sobre a formação do município. Quase três décadas depois, a editora volta a publicar um livro que dialoga diretamente com a história e a memória de Extremoz.

Segundo o autor, a proposta do livro vai além do resgate histórico.

“Não se trata apenas de revisitar o passado, mas de compreender como certos silêncios foram construídos e como ainda influenciam a forma como entendemos nossa própria história”, afirma Juarez Viana da Silva.

Resultado de pesquisa dedicada à história local, a obra convida leitores, pesquisadores e educadores a repensarem a memória oficial e a reconhecerem a presença indígena na formação do território.

O livro conta com prefácio do professor e escritor Leandro Soares, que destaca a publicação como “um gesto de reconhecimento: uma tentativa de escutar o que o tempo silenciou”.

Prof. Leandro Soares e Abimael Silva (Sebo Vermelho)

O lançamento contará com bate-papo com o autor e sessão de autógrafos.

                    Divulgação do lançamento 


Serviço:

Lançamento do livro Extremoz: silêncio indígena

Data: 28 de fevereiro, às 9h

Local: Sebo Vermelho – Cidade Alta – Natal/RN

Exemplares à venda no local – R$ 60

sábado, 3 de janeiro de 2026

Marconi Branco celebra 45 Anos de Arte no Teatro do IFRN

 

​Prepare-se para uma noite inesquecível! 

No dia 15 de janeiro, celebramos os 45 anos de vida artística do cantor e compositor Marconi Branco. Um marco na cultura potiguar que merece uma comemoração à altura!

​O palco para esse momento histórico será o teatro do IFRN Campus Cidade Alta, um prédio de arquitetura belíssima e atmosfera única. Nada mais convidativo para uma noite de pura arte.

​Uma Constelação de Talentos:

​O evento contará com a participação de grandes ícones da música potiguar, que se unem para homenagear a trajetória de Marconi Branco:

​Vozes e Talentos: Nara Costa, Dodora Cardoso, Silvana Martins, Clara Menezes, Carlos Zens, Angelo Angolano, Paulo Santos, Sergio Luiz, Yolanda Suassuna, Magda Foa, Aninha Martins, Janaina Leite, Mili Oliveira, Natália Abade, Sarah Branco, Gege Regis e Zette Pereira.

​E MAIS: Além deste elenco de peso, a noite reserva outras grandes surpresas preparadas exclusivamente para o público presente!

​📍 Programe-se:

​Data: 15 de Janeiro

​Horário: 19h

​Local: Teatro do IFRN Campus Cidade Alta (Av. Rio Branco)

​Investimento: Apenas R$ 25,00

​Ingressos Antecipados: Garanta o seu lugar agora mesmo pelo link abaixo:

https://ticket.pedido.one/event/tSS0l2

​Você é nosso convidado especial para esta noite de história e emoção.

Mais informações @marconibranco

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Homenagem com poesia

 

Na noite desta terça-feira, dia 23, a poeta Adriana Mariano foi oficialmente homenageada pela Câmara Municipal de Extremoz com o Título de Cidadã Extremozense, em solenidade realizada na sede do Poder Legislativo e transmitida ao vivo pelo canal oficial do YouTube.

A homenagem foi uma proposição do vereador Fábio Vicente. A sessão solene contou com a presença de autoridades do Legislativo e do Executivo municipal, entre elas o presidente da Câmara Municipal, vereador Anderson Barbosa, e a prefeita de Extremoz, Jussara Sales, reafirmando o reconhecimento institucional à trajetória cultural, educacional e poética da homenageada.

Em um gesto de profunda sensibilidade e pertencimento, Adriana fez questão de ler o “Soneto Extremozense”, do poeta Manuel de Azevedo, reafirmando, por meio da poesia, os laços afetivos, culturais e simbólicos que a unem a esta terra.

Mais que um título, a homenagem reconhece uma trajetória marcada pelo amor à palavra, à memória e à identidade de Extremoz. Professora por vocação, Adriana construiu, ao longo dos anos, uma atuação dedicada à educação, à formação de leitores e à valorização da cultura, fazendo da sala de aula e da poesia espaços de escuta, reflexão e pertencimento.

A cidade se reconhece na poesia — e, hoje, reconhece também a educadora que, por meio do ensino e da palavra, ajudou a formar consciências e afetos.

A sessão solene pode ser conferida na íntegra no link abaixo.

https://www.youtube.com/live/9xhpagpZP7c?si=wiXRb4QBjLDRYRWa



quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Dos Trilhos Às Estrelas

 

Do Breviário aos Céus: Manuel de Azevedo celebra o Dia do Cordelista com novo cordel

Depois de emocionar leitores com O Breviário Ferroviário, obra que percorre os trilhos da memória, da paisagem e das vidas que se entrelaçam ao som dos trens, Manuel de Azevedo retorna com um novo trabalho igualmente sensível: As Estrelas do Cego, lançado especialmente por ocasião do Dia do Cordelista, como homenagem à tradição, à poesia popular e ao ofício que preserva a alma do nosso povo.

Se no Breviário o poeta nos conduzia por caminhos de ferro, mostrando como o cotidiano carrega poesia mesmo no ruído das máquinas e no vaivém das viagens, agora ele nos leva pelas ruas silenciosas de uma noite de Natal. Em vez dos trilhos, seguimos os passos lentos de um velho cego e de seu neto — duas figuras que, assim como os personagens ferroviários do livro anterior, revelam que a verdadeira luz não está no que os olhos veem, mas no que a alma percebe.

O novo cordel aprofunda aquilo que já se destacava em O Breviário Ferroviário:

• o olhar humano e afetivo para as pequenas grandezas do cotidiano;

• a capacidade de transformar memória em poesia;

• a habilidade de criar imagens vívidas, ora pela dureza do real, ora pela ternura do simbólico.

As Estrelas do Cego é, portanto, uma continuação natural desse percurso literário — e, lançado no Dia do Cordelista, reafirma o compromisso de Manuel de Azevedo com a força da tradição, da sensibilidade e da palavra que ilumina caminhos.

Confira o novo cordel gratuitamente pelo link abaixo:

https://drive.google.com/file/d/1pGliAsWcmTFdt9S1QqbvS7N-Var84ehN/view?usp=drivesdk


Agora faça a sua

A autoria em tempos de inteligência artificial Diante de uma imagem criada por inteligência artificial, de uma capa de livro produzida com a...

Mais Vistos