https://www.youtube.com/live/9xhpagpZP7c?si=wiXRb4QBjLDRYRWa
Um espaço para o exercício do livre pensamento e a cultura em geral.
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A Trilha Luminosa de 40 Anos – Uma Noite com SENDERO na UFRN
Por Prof. Leandro Soares, para Pedalando na História
Foi um grande privilégio para o Pedalando na História poder presenciar esse momento mais que especial. A noite de 12 de novembro viu o Auditório da Reitoria da UFRN se transformar em um portal — um lugar onde 40 anos de resistência, poesia e engajamento se encontraram. O SENDERO não nos ofereceu apenas um espetáculo musical; apresentou-nos a celebração viva de uma trilha luminosa construída ao longo de quatro décadas, inspirada em Flávio Venturini e no espírito guerrilheiro da arte.
O PRIVILÉGIO DA PASSAGEM DE SOM
Minha jornada começou antes mesmo das centenas de pessoas chegarem, vindas de vários cantos do estado. A emoção me tomou logo na passagem de som. Ali, no silêncio pré-espetáculo, senti o privilégio de parar o tempo. Conversar informalmente com os membros do Sendero, ver a calma e a entrega de Manuel de Azevedo, Lula Bulhões, Renato Savalli e Alfredo Jardim, juntamente com outros grandes músicos que se revezavam nos instrumentos, foi como receber a chave para entender a alma do grupo.
Lá estavam eles, os “feito agoristas” de 1985 que, surgidos em um ato pró-legalização, fizeram da música uma barricada contra a instrumentalização da arte. Naquele instante íntimo, a conversa transcendeu notas e afinações: era um papo sobre história, sobre a teimosia de criar uma arte que precisa ser degustada e pensada, e não apenas consumida.
UM BALANÇO EM 23 ATOS
Quando as luzes se acenderam para valer, o auditório já estava quase lotado. O show, que se propunha a fazer um balanço dessas “40 translações ao redor do sol”, cumpriu o prometido em 23 atos de pura intensidade.
O repertório navegou com maestria pelas diversas paisagens sonoras que moldaram o grupo: do Côco ao rock progressivo, passando pela força da MPB e da música latino-americana que pulsa em suas vozes e instrumentos.
Entre as canções inéditas, destacou-se a belíssima e transcendente “Moai Moai”, composição de Renato Savalli e Alfredo Jardim, que envolveu o auditório em uma atmosfera ritualística, quase etérea.
Ouvir composições autorais de Manuel de Azevedo, como “Sabra e Chatila”, foi um momento de profunda emoção e engajamento: uma belíssima homenagem ao povo palestino, contada com intensidade e sensibilidade. O momento contou com o apoio e a presença de uma representação do povo palestino, tornando-o marcante e inesquecível. Já a eletrizante “Mareada” nos conduziu novamente às lutas defendidas pelo Sendero: a causa latino-americana, a defesa dos povos originários e as pautas sociais e ambientais.
Sentimos, também, a homenagem viva aos amigos-irmãos já perdidos — uma celebração que carregava a dor e a beleza de criar memórias indeléveis juntos. O medley de abertura, com referências a Itamar Correia e Geraldo Espíndola, já anunciava que a noite seria um abraço coletivo em canções que nos definem.
O OLHAR DO PÚBLICO: O ESPELHO DA EMOÇÃO
Mas, se a performance do SENDERO era intensa, a reação do público era a verdadeira crônica. O que mais me tocou foi a profunda conexão estampada no olhar de cada espectador. Em momentos como “Pôr do Sol na Pedra do Rosário”, canção que carrega o DNA potiguar em sua essência, vi rostos marcados pelo tempo e pela vida.
Entre esses rostos, destacava-se a presença marcante da cidade de Extremoz. Colegas professores, amigos e admiradores da vasta obra de Manuel de Azevedo vieram prestigiar o mestre, cuja arte tem conquistado respeito e admiração crescentes. A presença de Extremoz ecoava feito um coro silencioso: “Extremoz presente!”
Não eram aplausos vazios; eram suspiros, olhares fixos na eternidade do palco e, sim, lágrimas. Lágrimas que brotavam porque aquela música — aquela “Resistência”, também no repertório — contava a história delas, de seus sonhos adiados e da persistência da fé. Eram lágrimas de quem sente a arte cumprir seu papel mais nobre: despertar consciências e conquistar corações.
PEDALANDO NA HISTÓRIA
Foi um testemunho de que a música, quando honesta e engajada, não envelhece. A trilha do SENDERO, nascida em tempos de ditadura e celebrada em um palco universitário, provou ser mais que memorável: é fundamental.
E, para o Pedalando na História, fica o registro: a história cultural do Rio Grande do Norte ganhou mais um capítulo brilhante, forjado em 40 anos de arte que inspira e transforma.
(Leandro Soares)
Escola de Zé: Fé e Educação Transformadora
Nas terras banhadas pelo sol do sertão Potengi, conhecemos a história de José Miguel, um homem cuja trajetória é tecida entre sonho e luta. No livro "A Escola de Zé", a professora e historiadora Fátima Ribeiro desenha, com tintas de resistência e devoção, a epopeia de um visionário que semeou uma escola no coração árido do Nordeste. Um idealista cuja missão foi erguer uma instituição de ensino onde educação e fé convergem para romper ciclos de exclusão no município de São Paulo do Potengi.
Um livro fundamental para conhecer de forma detalhada o processo de criação da Sociedade Educadora São Francisco (SESF), fundada há quase 60 anos. Fazem parte dessa trajetória o famoso Monsenhor Expedito, conhecido como “Profeta das Águas” - símbolo da luta por água no sertão até sua morte no ano de 2000. Seu texto, embasado em depoimentos e observação direta, inclui na documentação pesquisada desde a ata de fundação da escola até a lei de doação do terreno ainda na década de setenta. Assim, evidencia como a escola se tornou um espaço de emancipação, onde crianças e adultos aprendem a ler e interpretar o mundo. Como aparece na orelha do livro, citando o historiador francês Jacques Le Goff – a memória atualiza e reinterpreta as impressões e informações passadas.
A obra é prefaciada pela Doutora em Ciências Sociais, Irene de Araújo Van Den Berg, que nos mostra como o trabalho dialoga profundamente com os princípios defendidos por Paulo Freire especialmente no que se refere à educação como instrumento de libertação, à valorização do saber popular e à construção coletiva do conhecimento. Assim, A Escola de Zé materializa, em narrativa literária, muitos dos ideais freireanos: é uma história sobre como a educação, quando enraizada na comunidade e voltada para a autonomia, pode ser semente de libertação. Assim como em Pedagogia do Oprimido, a obra mostra que a verdadeira educação não domestica, mas desperta — e nesse despertar, os "frutos" são justiça, cidadania e a coragem de semear novos futuros, mesmo em solo árido.
Em cada página, respira-se o cheiro da terra molhada após a primeira chuva. Na cidade, A escola de Zé é mais que um lugar: é um canto de resistência, um verso vivo na paisagem do Sertão, onde cada criança carrega nas mãos — além do lápis — a semente de um futuro que já começa a desabrochar.
Abaixo, um raro
registro do senhor José Miguel falando sobre seu convívio inspirador com o
Monsenhor Expedito – por ocasião da 3ª edição do Centenário de Nascimento do
Profeta das Águas.
Manuel
de Azavedo, Nativo do município de Santana do Matos e atual Morador do bairro
de Candelária em Natal-RN alcançou um feito digno de nota com o lançamento do
seu novo livro “Universejos”. O livro apresenta vários poemas de estilos
bastante variados produzidos ao longo dos anos.
Publicado
pela Serrote Preto Edições - Manuel, explica que qualquer lugar é lugar de
escrita e que toda hora é hora de fazer poesia. Seus primeiros escritos
remontam ao ano de 1995, tempos em que assinava com o pseudônimo Mangará de Macambira.
Seja dos tempos da Retreta Poética, passando pelo famoso Breviário Ferroviário,
A tragédia do Nyenburg até o recém lançado – Universejos - sua escrita já pode
ser considerada patrimônio artístico-cultural-poético potiguar.
Uma
obra obrigatória para todos os amantes da poesia. O trabalho celebra
e mostra a diversidade no estilo poético e a riqueza literária
presente na obra. O livro está disponível no formato digital e é gratuito. Para
adquirir basta entrar em contato com a editora pelo e-mail:
serrotepreto@hotmail.com
Sabemos que a literatura tem um papel fundamental na transmissão do conhecimento e da cultura de um povo. Conhecer sua própria história é imperativo
para o desenvolvimento de qualquer sociedade. Com o desejo de conhecer melhor a
produção literária da cidade de Extremoz/RN, estudantes do ensino médio
pesquisaram grande parte da bibliografia existente sobre a cidade nos mais
variados gêneros. O período analisado pelo grupo cobriu quase trinta anos de
produção literária. De 1997 a 2024.
A iniciativa aconteceu na Escola Estadual Almirante Tamandaré,
localizada no centro de Extremoz, no contexto das trilhas de aprofundamento. As
trilhas fazem parte dos itinerários formativos do novo ensino médio. Consta na parte diversificada do currículo,
ocasião em que o estudante tem a possibilidade de escolher a que tem mais
interesse ou afinidade. Possibilitando, assim, uma ampliação dos conhecimentos
trabalhados em outras áreas. Ou seja, “O conjunto de disciplinas, projetos,
oficinas, núcleos de estudo, entre outras situações de trabalho, que os
estudantes poderão escolher no ensino médio”. A atividade teve como orientador
o Prof. Flávio Aurélio.
A partir dos parâmetros estabelecidos pela base nacional comum
curricular (BNCC) de 2017, conhecido também como novo ensino médio, se espera
que os estudantes possam ter um papel mais ativo e serem mais protagonistas no
processo de ensino e aprendizagem. Com o tema “Progresso Cultural e Literário
de Extremoz” os alunos da turma do 3ano “B” Noturno pesquisaram as principais
obras publicadas, em Extremoz, e que ajudam a conhecer melhor a história e a literatura
local. Entre as obras trabalhadas pelos estudantes podemos destacar: História
de Estremoz – Ir. Maria Dionice (1997), Lendas de Extremoz – Simone Maria
(2020), Guajuru: registro da indiferença - Juarez Viana (2020), Breviário Ferroviário – Manuel
de Azevedo (2023), Extremoz em Prosa: um olhar impertinente – Leandro Soares
(2024) e Extremoz em Versos – Valdenor Cordel (2024).
Confira um trecho da apresentação no link
https://www.instagram.com/reel/C91BMIEN-I4/?igsh=MWJtcDAxdXU1aG84aQ==
Um momento muito especial foi a participação de escritores e
poetas potiguares como convidados durante a realização da atividade. Destaque
para o a escritora Simone Maria – autora da obra Lendas de Extremoz, do poeta
Manuel de Azevedo – autor do livro Breviário Ferroviário e do escritor Leandro
Soares – autor do livro Extremoz em Prosa: um olhar impertinente. Foi um
momento muito rico com troca de experiências e que ajudou a mostrar todo o
potencial da literatura produzida em Extremoz nas últimas décadas.
Poeta Manuel de Azevedo em oficina de orientação
Prof. Flávio e os escritores Simone Maria e Leandro Soares em reunião de orientação
Entre um turno de aula
e outro sempre procuro um local tranquilo e confortável para ler um livro, bater
um papo com os colegas, falar sobre literatura, poesia, entre outros. Ou simplesmente
ouvir os próprios pensamentos. A cafeteria Lar Doce tem se tornado destino
certo nessas ocasiões. O local se tornou um verdadeiro refúgio de professores,
escritores e poetas. Duas paixões em um
só lugar - café e poesia.
Confesso que só conheci
a cafeteria após a inauguração da sua segunda loja, talvez, por ficar mais
próxima a escola que trabalho. Nada melhor que um local aconchegante e
acolhedor para tomar aquele café nos fins de tarde. A cafeteria e restaurante,
Lar Doce, é endereço certo para os amantes de uma gastronomia diversa e um
ambiente confortável. O atendimento cordial e atencioso é uma marca sempre presente.
Batemos
um papo com uma das responsáveis pelo estabelecimento, Janaina Araújo, natural
de Caicó, que falou um pouco sobre a sua trajetória empreendedora e do Lar
Doce, local que já faz parte da história gastronômica da cidade. Sua chegada em
Extremoz ocorreu ainda em meados de 2016, vinda do coração do Seridó potiguar. Ela
e seu esposo, Genivan, se conheceram no contexto da gastronomia. Em 2019,
inauguraram a primeira loja no bairro Quinta das Figueiras. Pouco mais de um
ano após, era inaugurada a segunda loja no Central Park I, loja inclusive
ampliada recentemente com um estilo moderno e com uma decoração intimista que
remete a psicoarquitetura.
Entre seus
frequentadores mais assíduos está o poeta e escritor, Manuel de Azavedo, que
acaba de lançar seu mais novo livro chamado “Poética Op. 61”. A obra conta com cinquenta poemas inéditos,
alguns, inclusive feitos entre um café e outro no próprio Lar Doce. Têm até
poema em homenagem as atendentes. Livro gratuito e disponível no link: https://drive.google.com/file/d/1CUhjG9djcNDhjib6KFg55SkskH1pNwWX/view?usp=sharing
Da antiga Vila do Príncipe
(atual Caicó) para a terra do Grude, Janaina, falou “que às vezes bate uma certa
saudade da sua terra”. Acredito que a melhor forma de lidar com a saudade é transforma-la
em literatura ou poesia. Fiquei feliz em saber que em breve a cafeteria pretende
dedicar um espaço voltado a literatura. Agradecemos desde já pela acolhida e sucesso
sempre.
Na noite desta terça-feira, dia 23, a poeta Adriana Mariano foi oficialmente homenageada pela Câmara Municipal de Extremoz com o Título de...