Muitos mistérios e lendas
existem em torno da verdadeira história desse local que tem atraído cada vez
mais visitantes à região que fica localizada no coração do Seridó Oriental Potiguar,
mais precisamente, a cidade de Currais Novos no RN.
Foto:
http://www.guinerario.com.br/
Localizado no geosítio do
município, distando em torno de 190 km de Natal, o local conhecido como Pedra do Sino está situado na Lagoa do Santo
e tornou-se famoso por ser uma formação geológica que emite, literalmente, o
som de um sino de igreja. O local fica há uns 10 km do centro da cidade. De
acordo com guias locais, a pedra servia de meio de comunicação entres os povos
indígenas, sobretudo, os Cariris e tinham diferentes significados. Algumas
teorias cientificas argumentam que o som poderia ser provocado pela grande
quantidade de poros presentes na estrutura geológica da rocha, a propagação do
som e em função de não estar totalmente em contato com o solo. Apesar de
algumas explicações, não faltam crenças, lendas da população, e até mesmo associações
com alienígenas para tentar explicar o fenômeno. Permanecendo, assim, o
mistério e atraindo um número cada vez maior de visitantes.
De acordo com o documentário
produzido pela TV Tribuna, dirigido pela jornalista Cledivânia Pereira e com
reportagem de Luiz Henrique, na década de 1990 o geosítio passou a ser de
grande interesse cientifico e geológico, já a partir de 2010 com a criação do projeto
Geoparque Seridó (projeto de extensão
da UFRN) o local ganha imenso valor cultural e histórico para a região. O
turismo no local tem perfil pedagógico e cientifico, atraindo escolas do ensino
básico e estudantes de geologia, geografia e turismo – principalmente. Segundo
o coordenador do Geoparque Seridó, o
professor e geólogo Marcos Nascimento da UFRN, o Geoparque abrange um total de
seis municípios (Cerro Corá, Lagoa Nova, Currais Novos, Acari, Carnaúbas dos
Dantas e Parelhas) e já se credencia a ser o mais novo Geoparque do Brasil e um
dos poucos de toda a América Latina, reconhecidos pela Organização das Nações Unidas
para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
A cidade abriga, ainda,
em seu geosítio outras atrações como Pico do Totoró - com seus 273 metros de
altura - e a Pedra do Caju. Sem contar com a famosa Mina Brejui que teve seu
apogeu durante a segunda guerra mundial, visitada frequentemente, já traiu mais
de 20 mil visitantes nos últimos anos.
Enquanto você prepara as
malas para ouvir esse som de perto e tentar descobrir que som é esse, vale a
pena dar uma conferida no excelente documentário produzido pela TV Tribuna e se
maravilhar com as belíssimas imagens feitas pelo grande fotógrafo Alex Régis. Parabéns
a todos pela belíssima produção.
O ano de 2020 foi marcado
por uma série de desafios impulsionados, sobretudo, pela questão da pandemia.
Mudanças na rotina e quebra de paradigmas puderam ser sentidas em diversas
áreas e com a educação não foi diferente. Desde a suspensão das aulas em meados
de março no país o Ensino Remoto
acabou sendo a única solução para muitas instituições de ensino. O que
significou, por sua vez, um grande desafio para alunos e professores. A
necessidade de repensar modos de aprendizado, alteração na rotina e ainda, uso
de novas tecnologias, estão entre os principais exemplos.
ENSINO REMOTO: O QUE É ISSO?
Primeiro é importante
destacar que ensino remoto não é EaD. Alguns termos ainda confundem um pouco, vamos
tentar apresentar de forma simples as principais semelhanças e diferenças de
alguns termos que vem sendo utilizados nesse novo contexto que passa a
educação. Termos como; Ensino a Distância (EaD), Ensino Hibrido, Ensino Remoto
Emergencial e o Ensino Remoto Intencional podem gerar algumas dúvidas sobre seu
significado.
ENSINO
A DISTÂNCIA (EaD)
O ensino a distância não
é tão novo como alguns podem pensar e já existe, pelo menos, desde a primeira
metade do século XVIII com os cursos por correspondência iniciadas nos Estados
Unidos e, em seguida, se espalhando por outros países. No Brasil, só a partir
do início do século XX que teremos os primeiros cursos por correspondência. A
partir da década de 1940 o famoso Instituto Universal Brasileiro se torna uma
importante referência na formação profissional. Com o surgimento da internet a
modalidade EaD ganhou ainda mais importância e presença nos vários níveis de
ensino do país.
Entre os principais
aspectos presentes hoje no ensino EaD estão a massificação do seu conteúdo, ou
seja, existe uma plataforma padronizada com videoaulas, vídeos tutorias,
diversos suportes e materiais pedagógicos, além do professor conteudista, temos
a presença de um tutor responsável por tirar dúvidas.
ENSINO REMOTO (EMERGENCIAL E INTENCIONAL)
Nesse
formato temos um modelo que é usado, inicialmente, em situações de graves
crises. Segundo Eucidio Pimenta da UFMG, em artigo publicado em maio de 2020
sobre a educação remota emergencial e publicado na revista Em Rede, o ensino remoto é uma mudança temporária da entrega de
conteúdos curriculares para uma forma de oferta alternativa, devido à situação
da crise. Envolve o uso de soluções de ensino totalmente remotas para as aulas
previamente elaboradas no formato presencial, podem ser combinadas para
momentos híbridos ao longo da crise, em situações de retorno parcial aulas e
quantitativo de alunos e possuem duração delimitada pelo tempo em que a crise
se mantiver. Entre os principais aspectos presentes no ensino remoto
emergencial estão a personalização, a aula em tempo real, substituição da carga
horária presencial, permanência do mesmo professor e ainda, uma interação mais
frequente.
Segundo Michael Horn,
autor do livro Blended: usando a
inovação disruptiva para aprimorar a educação de
2015 e considerado uma das principais referências no chamado Blended Learning
(Ensino Hibrido), uma das principais vantagens desse formato seria a
possibilidade de o estudante ter o seu próprio ritmo de aprendizagem.
Nesse sentido, o ensino hibrido, que tem
os momentos síncronos e assíncronos como elementos constitutivos do processo de
ensino, seria a junção do formato presencial com o online. Cada qual com seus
próprios objetivos de ensino aprendizagem.
ENSINO REMOTO NO BRASIL E NO RIO GRANDE DO
NORTE
Após a aprovação pelo
Conselho Nacional de Educação e do Ministério da Educação em adotar o ensino
remoto no país muito problemas foram escancarados, como a grande desigualdade
existente no que se refere ao acesso dos alunos as aulas disponibilizadas pela internet.Segundo pesquisa PNAD divulgada em abril de
2020 mostrou que mais de 46 milhões (25,3% da população) pessoas não tem acesso
à internet, ou seja, 1 em cada 4. Nas áreas rurais esse percentual chega a
53,5% e nas áreas urbanas 20,6%. Esses números apresentam apenas uma parte do
desafio em alcançar todos os alunos com as atividades remotas. Sem contar,
claro, com outros diversos problemas causados pela pandemia.
Por aqui no Rio Grande do
Norte a Secretaria Estadual de Educação divulgou em dezembro de 2020, que pouco
mais de 50% dos estudantes da rede tiveram acesso aos conteúdos
disponibilizados pelos professores no formato remoto. O que aumenta o desafio
para que nós, professores, possamos pensar estratégias criativas para alcançar
um número maior de alunos por meio das diversas plataformas existentes
atualmente como o Google Meet (plataforma de videoconferência), YouTube (para
produção e compartilhamento de aulas), Google Forms (Plataforma de
gerenciamento de pesquisa), o Google Classroom, as próprias redes sociais, o
popular WhatsApp para dinamizar a comunicação entre as turmas e a escola, e outros
diversos recursos existentes.
Aula síncrona em
turma do 3º ano do Ensino Médio em videoconferência pelo Google Meet
PRÁTICA PEDAGÓGICA NO ENSINO REMOTO
Em relação a todos os
pontos relatados até aqui, temos apenas uma certeza; não há receita pronta para
transpor tantos desafios. É necessário ressignificar o papel do professor e do
aluno. O que temos é o empenho e o esforço de vários professores que mesmo sem
as condições adequadas se desdobram para fazer o possível e tentar alcançar o
máximo de alunos nesse momento histórico em que vivemos.
São muitos os exemplos de
boas práticas pedagógicas aqui mesmo em nosso estado com tantas carências e de várias
ordens. Gostaria de convidar os colegas professores, se possível, a
compartilhar um pouco de suas experiências, produções e iniciativas nesse
contexto de ensino remoto. De forma singela deixo aqui uma pequena contribuição
que foi a produção de uma série de vídeos sobre os principais pensadores e sistemas
teóricos em Filosofia que tem certa recorrência no ENEM para auxiliar meus
alunos do ensino médio de forma assíncrona, além dos encontros síncronos e as
muitas interações realizadas pelas diferentes plataformas ao longo do ano de
2020. Por fim, afirmo, podemos errar, podemos acertar, mas certamente não ficaremos
parados.
Link para a aula nº 1 <https://www.youtube.com/watch?v=CQBDepjnf1Q&t=20s>
Aula 1 - Filosofia de Epicuro no ENEM [Ensino Remoto]
Nessa aula faremos uma breve introdução e abordaremos as ideias gerais do pensador com resolução de questões do ENEM a fim de nos familiarizarmos com o conteúdo.
No canal você encontra a série completa (até o momento), outros projetos pedagógicos, bem como a produção de alunos de varias turmas e anos anteriores.
Em 1838 era
fundado o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) no Rio de janeiro
durante o chamado período regencial. Passaria a ter o imperador D. Pedro II como
um dos membros mais ativos e seu patrono. Um dos seus grandes objetivos era o
de estabelecer um projeto de nação para o país. Seguindo sua influência é fundado em 1902 o Instituto
Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN) a mais antiga instituição
cultural do estado, e também chamada por muitos de casa da memória. Esse ano o instituto completa a marca dos 118 anos em plena
atividade.
Entre seus
fundadores e sócios estão figuras emblemáticas da história política, jurídica,
econômica e cultural do estado como Augusto Maranhão, Tavares de Lyra, Câmara
Cascudo, Henrique Castriciano, entre muitos outros. O instituto preserva um
acervo valiosíssimo para a memória do nosso estado. Abriga em seu acervo, um
arquivo, um museu, uma biblioteca com mais de 50.000 mil títulos, auditório e
galeria para exposições. Entre as peças que chama atenção no museu está o
brasão da antiga igreja de Extremoz.
Fonte:
https://ihgrn.org.br/instituicao/acervo
Desde a sua fundação o instituto publica uma revista anual contendo
vários estudos e pesquisas de interesse, sobretudo, da historiografia potiguar.
Entre os documentos preservados estão manuscritos do período colonial, imperial
e da república. O primeiro volume da revista data do ano de 1903. Graças a uma
parceria entre o instituto e o departamento de História da UFRN parte desse
acervo começa a ser digitalizado, o que facilita a pesquisa e o acesso dessa
documentação para os estudiosos, pesquisadores e interessados em geral na
cultura e na história do nosso estado. No total já são 99 volumes publicados e
todos estão disponíveis gratuitamente na plataforma do Repositório do
Laboratório de Imagem (LABIM) da UFRN e sediado no departamento de História.
Trabalho árduo, mas recompensador. As revistas podem ser conferidas no link a
seguir: http://repositoriolabim.cchla.ufrn.br/
Por fim, fica o convite para conhecer essa tão distinta instituição que,
apesar das inúmeras dificuldades e desafios continua mantendo uma tradição secular
em nossa cidade. O instituto está localizado no centro histórico da capital
potiguar, entre a antiga catedral de Natal e o Palácio da Cultura. As portas do
IHGRN estão abertas para recebê-lo.
Na
cidade de Lajes, região do semiárido potiguar, existe um túnel de aproximadamente
200 metros de comprimento que foi construído no início do século XX para
receber o ramal da estrada de ferro central do Rio Grande do Norte. Seu
objetivo seria ligar a região central com o Seridó (Lajes-Caicó).
*Fonte: Conversando com
Augusto Maranhão – A Estrada de Ferro Inacabada
O local não é muito conhecido
mesmo entre aqueles entusiastas da história do RN. Um dos elementos que mais
intrigam é a maneira como o projeto foi abandonado, deixando para trás pontilhões,
fendas entre rochas e o túnel abandonado. Segundo o escritor Wagner Rodrigues,
existe na região em torno de trinta espigões, destinados a receber uma ponte de
ferro inglesa (que não chegou a ser construída) nos moldes – tudo indica - da ponte de ferro do Igapó na capital.
Segundo o historiador
Cícero Lajes o túnel tem atraído cada vez mais aventureiros para conhecer, não
apenas a cidade, mas também outros locais encantadores da região como serras e
trilhas. O livro Dos Caminhos da água aos
caminhos de Ferro do pesquisador Wagner Rodrigues é prova da riqueza que é a história ferroviária potiguar.
O local, sem dúvida, é um
convite para uma bela expedição de Bike com a turma. Alguns grupos de pedal,
trilha e off road já se aventuraram e garantem que a experiência é indescritível.
Agora vamos tentar encontrar alguém para compartilhar mais essa aventura. rs rs
É possível conferir o
túnel e as outras obras inacabadas do projeto no programa Conversando com Augusto Maranhão – A Estrada de Ferro Inacabada, disponível no YouTube pelo link a
seguir;
Ainda me lembro do
primeiro pedal que participei com o grupo de Extremoz. Foi exatamente no sábado
dia 3 de agosto de 2019 (se o Strava não estiver me enganando rs). Estava
voltando a pedalar após um longo período de molho do esporte em função do susto
causado após uma queda em uma ladeira no bairro das Quintas.
Bicicleta comprada há
pouco tempo, ainda me adaptando as novidades, inclusive tecnológicas – no meu
tempo não se usava aplicativos – fui apresentado ao famoso Strava. Como todo início,
as vezes os micos são inevitáveis. Estava participando do grupo há pouco tempo
e aguardava a publicação de uma rota (semanal) que eu tivesse condições de
acompanhar o pessoal (e essa rota nunca chegava rs). Meus primeiros 43km de
pedal em grupo durou, nada mais nada menos, que 38 horas!! Tomei um susto!! Só
bem depois que descobri ter deixado o aplicativo ligado até o outro dia. rs rs
O tradicional pedal do Caldo de Cana para o mercado de
Ceará-Mirim, sem dúvida, foi um dos momentos mais prazerosos nesse retorno aos
pedais. O Mercado Público de Ceará-Mirim foi fundado ainda no ano de 1881, nessa
época a feira livre ocorria na parte de fora do mercado, apenas após a
proclamação da república que seria transferida para dentro do novo prédio, em
1889. O prédio se encontra tombado pela fundação José Augusto desde o ano de
1984. Simboliza hoje um dos principais pontos turísticos da cidade que Extremoz
já fez parte. Sobre o Caldo de Cana
do mercado, quem experimenta sempre sai satisfeito, pois o copo nunca fica
vazio. Se você ainda não sabe do que estou falando, precisa ter essa
experiência gastronômica o quanto antes rs.
Escrevo esse singelo
texto em forma de agradecimento aos colegas que tornaram essa primeira
experiência possível. Afinal, de lá para cá, esse negócio de pedalar virou um
vício (saudável) e já acumulou muitas novas amizades e inúmeras histórias para
contar. Nesse dia estávamos em oito ciclistas e faço questão de nomina-los; participaram
os colegas Armando Carlos (sub), João Oliveira, Paulo (Paulinho), Soares (Dedé), Cardoso, João Morais,
Daniel (ciborgue) e esse que vos fala. Vamos girar!
Você sabia que na cidade de Riachuelo-RN existe um monumento que remonta
ao período da segunda guerra mundial?
Localizado na Serra Azul a peça de concreto tem uma inscrição que remete
ao ano de 1942, o monumento tem - em sua parte superior - um formato triangular
e em sua parte interna um espaço que, provavelmente, seria para suportar algum
tipo de antena. Ou seja, podemos dizer que além de Parnamirim e Natal, tudo
indica que a cidade de Riachuelo também está na rota da segunda guerra mundial.
Segundo locais, provavelmente a peça seria uma espécie de marco geodésico instalado pelo exército durante o
período da Segunda Guerra Mundial. Colocado pelo
exército americano em parceria com o serviço geográfico do exército brasileiro. Esse tipo de marco serve para indicar no
terreno uma posição cartográfica ou geodésica precisa.
A
história das grandes batalhas militares está presente na memória de Riachuelo
desde a origem do próprio nome. O professor e historiador José Candido
Cavalcante em seu livro, História de Riachuelo: Sabença do povo,
publicado em 2008, analisa uma das versões para a origem do nome da cidade que
faria referência ao fato do fundador da cidade haver participado da batalha do
Riachuelo em 1865 no contexto da guerra do Paraguai. Assim, o nome seria uma
homenagem em sua memória.
Outro
fato marcante e presente na memória dos riachuelenses foi a queda do Hidroavião
Catalina PBY-5 em 10 de maio de 1944. Pertencente a Marinha dos Estados Unidos,
teve como saldo um total de dez militares estrangeiros mortos. A aeronave
pertencia ao Esquadrão de Patrulha VP-45 da marinha americana. Esses e outros
acontecimentos históricos ocorridos pelo interior do Rio Grande do Norte podem
ser conferidos no trabalho realizado pelo pesquisador e membro do Instituto
Histórico e Geográfico do RN, Rostand Medeiros em seu livro publicado em 2019
- Sobrevoo: Episódios da Segunda Guerra Mundial no Rio Grande do
Norte, o livro integra a coleção “A participação do Rio Grande do
Norte na Segunda Guerra Mundial”. No início do ano passado, motivados pela
pesquisa realizada pelo autor, diplomatas do consulado geral dos Estados Unidos
no Recife visitaram a cidade de Riachuelo para conhecer a história do acidente
aéreo com o Hidroavião Catalina.
Grupos locais tentam preservar a história e a memória da cidade por meio
de diversas atividades que envolvem o turismo regional, histórico e de
aventura. Podemos citar o grupo “Calangos na Trilha” e o grupo
“EuAmoRiachueloRN” (entre outros) que desenvolvem diversas atividades que
valorizam e contribuem para a preservação do patrimônio histórico e cultural da
cidade. Uma cidade encantadora e com muitos pontos turísticos para serem
conhecidos e desafios à serem explorados.
O surgimento do trem a vapor foi um importante marco da chamada
revolução industrial liderada pela Inglaterra ao longo do século XIX.
Fundamental para o funcionamento das fábricas, o trem desempenhou um papel
central durante a primeira e a segunda guerra mundial. A estrada de ferro
alterou a dinâmica econômica e social desde então, possibilitando o surgimento
de cidades, encurtando distâncias e promovendo uma verdadeira revolução na
produção agrícola e na mobilidade entre as cidades e até mesmo entre países.
Em 1804 temos a primeira locomotiva a vapor na Inglaterra. No Brasil a
primeira locomotiva só vai operar em 1854 no Rio de Janeiro. No Rio Grande do
Norte, o primeiro trecho ferroviário data de 1881, ainda no período imperial e
operado pela empresa inglesa Great Western of Brazil Railway (G.
W. B. R.). O primeiro trecho ferroviário a operar no RN foi o trecho Natal-Nova
Cruz. Já o segundo trecho só vai operar a partir de 1906 ligando
Natal-Ceará-mirim. É importante ressaltar que a presença da estrada de ferro no
RN foi fundamental para a dinamização da economia. A estrada de ferro teve
papel importante como medida contra a seca por meio da geração de empregos e no
escoamento da produção agrícola, por exemplo.
Em 1916 é inaugurada a famosa ponte de ferro do Igapó, que funcionou até
o ano de 1970. Projetada inicialmente apenas para a passagem do trem, foi por
54 anos a única ligação da cidade com o vale açucareiro (que representava em
torno de 60% da economia do estado) e o restante da cidade. O primeiro trem a
inaugurar a famosa ponte de ferro (também chamada de ponte dos ingleses) foi
uma locomotiva a vapor chamada Catita no ano de 1916. Uma
viagem que contou com as maiores autoridades políticas do período, entre os
quais estavam, além do governador Ferreira Chaves, o escritor e
historiador Câmara Cascudo, à época com apenas dez anos de idade.
Por meio da iniciativa do Instituto
dos Amigos do Patrimônio Histórico e Artístico-Cultural e da Cidadania
(IAPHACC), presidido pelo pesquisador Ricardo Tersuliano, foram realizados estudos e pesquisas sobre a
história da ferrovia no RN e surgiu a ideia de resgatar a Catita,
por meio judicial, (que estava em Pernambuco desde a década de setenta) para o
nosso estado, juntamente com um acervo, conseguido por meio de doações de
ferroviários que acreditaram no projeto e na necessidade da construção de um
museu que promova o resgate e a preservação da memória do trem em
nosso estado, assim como sua divulgação.
Por meio de uma parceria com o IFRN Campus Cidade Alta o Museu
Ferroviário encontrou seu local de existência e exposição
permanente na nova unidade do IFRN localizado no bairro das Rocas. A
instituição federal de ensino inaugurou a nova unidade em 2016, restaurando a
antiga Rotunda (antiga oficina de trens), mantendo a
arquitetura original do prédio histórico e hoje disponível para toda a
comunidade. Além dos cursos médio, técnicos integrados e subsequentes o prédio
abriga, ainda, o museu do trem (Museu Ferroviário Manoel Tomé de Souza). Uma
das principais atrações que compõe o acervo do museu é sem dúvida a primeira
locomotiva a vapor a inaugurar a ponte de ferro de Igapó, a Catita em
1916.