Há encontros que a literatura proporciona e que parecem improváveis.
Um deles aconteceu muito longe de Extremoz, no Rio Grande do Norte.
Recentemente, ao acompanhar uma entrevista realizada na China com o professor potiguar José Medeiros, uma referência a Manuel de Azevedo chamou minha atenção. Ao falar sobre literatura e cultura brasileira, Medeiros mencionou o poeta e destacou uma dimensão que merece ser lembrada: Manuel de Azevedo não é apenas um poeta potiguar. É um poeta brasileiro.
Mas a história vai além da entrevista.
Na Universidade de Estudos Internacionais de Zhejiang, na China, existe um acervo dedicado à literatura brasileira. E nele está uma obra que ajuda a materializar essa presença: A Saga de um Cão de Rua (Tibé), publicada em 2010, de Manuel de Azevedo.
A fotografia que acompanha este texto foi feita justamente nesse espaço, na China. Nela, uma obra da literatura de Manuel aparece integrada a um ambiente dedicado aos livros e à cultura brasileira.
É uma imagem que diz muito.
Um poeta nascido e construído em nossa terra, cuja obra encontra leitores, pesquisadores e espaços de preservação do outro lado do mundo.
Talvez seja essa uma das maiores forças da literatura: ela nasce em um lugar, carrega as marcas de uma terra, de uma gente e de uma experiência particular, mas não precisa permanecer confinada às suas fronteiras.
Manuel de Azevedo é um poeta de Extremoz.
É um poeta potiguar.
E também é um poeta brasileiro.
Agora, podemos acrescentar:
sua poesia também encontrou um lugar na China.
E isso é motivo de orgulho — não apenas para Extremoz, mas para toda a literatura do Rio Grande do Norte.
Da terra potiguar para o Brasil.
Do Brasil para o mundo. 🇧🇷🇨🇳
Fotografia: acervo da Universidade de Estudos Internacionais de Zhejiang, China.

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